Pular para o conteúdo
Disco da
DécadaVote por década
Disco da Década: página inicial
DISCO DA DÉCADA · 1980EXAGERADOCAZUZA1985
Anos 1980

Exagerado

Cazuza · 1985 · Som Livre

Faixas de destaque:

  • Exagerado
  • Codinome Beija-Flor
  • Mal Nenhum
  • Medieval II
Votar nos anos 1980

Contexto e gravação

Cazuza deixou o Barão Vermelho em julho de 1985, seis meses depois de a banda tocar no primeiro Rock in Rio, no dia 15 de janeiro. A Fundação Perseu Abramo lembra que foi no festival que ele e o grupo alcançaram o estrelato. A Wikipédia registra a explicação que o cantor deu para a saída: ele se disse “muito egoísta para dividir a atenção e os palcos”. A Rolling Stone Brasil descreve a saída como turbulenta e o tom do disco que veio depois como agressivo.

O primeiro trabalho solo saiu em novembro de 1985, pela Som Livre. A data mais citada é 17 de novembro, mas algumas fontes dão o dia 18. Aqui está uma correção importante para quem procura o disco: ele foi lançado apenas com o nome do cantor, Cazuza, e passou a ser chamado de Exagerado depois do sucesso da faixa de mesmo nome. A Rolling Stone Brasil ainda o trata como Cazuza (Som Livre, 1985) em seu texto, o que mostra que os dois nomes convivem.

A produção é de Ezequiel Neves e Nico Rezende, segundo a Wikipédia. Uma resenha de discografia que consultei grafava o segundo nome de outro jeito, mas a ficha atual da Wikipédia traz Nico Rezende, que também toca piano e sintetizadores no disco. Ezequiel Neves, jornalista que a Fundação Perseu Abramo descreve como mentor intelectual do Barão Vermelho, já era o homem de confiança do cantor desde o Barão Vermelho. Segundo a Rolling Stone Brasil, ele produziu todos os álbuns solo de Cazuza até a morte do cantor, em 1990. Ele foi também o terceiro compositor da música que dá nome ao álbum.

O disco tem dez faixas e 36 minutos, segundo a Wikipédia: “Exagerado”, “Medieval II”, “Cúmplice”, “Mal Nenhum”, “Balada de Um Vagabundo”, “Codinome Beija-Flor”, “Desastre Mental”, “Boa Vida”, “Só as Mães São Felizes” e “Rock da Descerebração”. Várias têm Frejat como parceiro, o que reforça a ligação com o Barão Vermelho. A mesma ficha lista os músicos: Nico Rezende nos teclados, Décio Crispim no baixo, Rogério Meanda nas guitarras, João Rebouças nos teclados, Fernando Moraes na bateria e na percussão e Zé Luiz no saxofone.

Sobre o som, a Wikipédia diz que o disco se afasta do blues rock do Barão Vermelho e vai para um pop rock com influência de new wave. A mesma fonte lembra que várias músicas haviam sido escritas originalmente para a banda.

Faixas de destaque

Exagerado

A música é de Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni. A Rolling Stone Brasil a chama de música “explicitamente pop”, e foi o grande sucesso do disco. Leoni contou ao Estadão, segundo a Rolling Stone Brasil, que Cazuza lhe disse que “o exagerado era o Ezequiel”, e que frases do jornalista entraram na letra. É uma versão contada por um dos autores, não um fato confirmado por todos. O que se ouve, de qualquer modo, é um refrão que gruda e uma interpretação que assume o exagero como virtude. Não por acaso, o título passou a nomear o álbum inteiro.

Codinome Beija-Flor

Parceria de Cazuza, Ezequiel Neves e Reinaldo Arias. Foi outro grande sucesso do disco, segundo a Wikipédia. A Rolling Stone Brasil a vê como indício do interesse do cantor pela MPB. Ela ajuda a entender o que a saída da banda abriu: um espaço para o cantor testar caminhos que o rock do Barão não acomodava.

Mal Nenhum

É a primeira parceria de Cazuza com Lobão, e segundo a Rolling Stone Brasil nasceu numa mesa de bar no Baixo Leblon. Vale ouvi-la com o contexto de 1985 na cabeça: o país vivia a transição da ditadura para o governo civil, e o disco, segundo a Rolling Stone Brasil, tem tom agressivo.

Medieval II

Assinada por Cazuza e Rogério Meanda, o guitarrista que aparece na ficha do disco, e a mais longa do repertório, com 4 minutos e 22 segundos, de acordo com a Wikipédia. As fontes consultadas não descrevem o arranjo.

Só as Mães São Felizes

Parceria de Cazuza e Frejat. Segundo a Wikipédia, que cita o livro Cazuza: Discos (2006), a música foi vetada pela censura e proibida nas rádios do país por causa de uma palavra de baixo calão, e só depois liberada. O caso mostra que o disco nasceu com a máquina de controle ainda em funcionamento, mesmo no fim da ditadura.

Recepção da crítica

A Wikipédia resume a recepção em duas linhas: críticas em geral positivas e sucesso comercial. O texto traz duas cifras que não combinam. Na abertura, fala em mais de 750 mil cópias vendidas, com base em um artigo do site TMDQA!. Na seção de recepção, fala em 50 mil cópias, apoiado em uma ficha da revista Bizz. A página não informa certificação. As duas cifras vêm de uma enciclopédia aberta, sem dado primário de gravadora ou associação, e a diferença pode estar no período contado. Por isso este texto não escolhe uma delas.

A Rolling Stone Brasil, em texto sobre a discografia do cantor, chamou Exagerado de a “mais perfeita tradução” do intérprete. O elogio é mais afetivo do que técnico, mas diz algo: o disco ficou como o retrato mais direto da persona de Cazuza, a mistura de deboche, desejo e angústia que ele cantava.

As fontes consultadas não trazem resenhas assinadas de 1985 e 1986 nem posições em listas de melhores discos, e por isso o texto não cita nenhuma. A Wikipédia chama a faixa-título de “clássico atemporal” e diz que ela consolidou a carreira solo do cantor.

Legado

A faixa-título é hoje tratada como clássico. Em 2025, segundo a Wikipédia, o álbum ganhou reedição em vinil em agosto e uma versão remasterizada, com remix bônus da música “Exagerado”, em novembro, pelos 40 anos. O fato de a gravadora ter reeditado o disco quatro décadas depois indica que ele segue em catálogo e tem público.

Na carreira de Cazuza, o álbum abriu uma sequência de discos solo: Só Se For a Dois (1987), Ideologia e O Tempo Não Pára (1988), Burguesia (1989) e Por Aí (1991), além do ao vivo O Poeta Está Vivo (2005). A página em inglês da Wikipédia afirma que a carreira solo foi mais bem-sucedida do que a do antigo grupo e que a obra influenciou músicos brasileiros posteriores.

Como candidato ao melhor álbum dos anos 1980, Exagerado tem um argumento direto. É o disco que registra o primeiro passo solo de um dos nomes mais marcantes do rock da década, com um hit que atravessou gerações e canções que misturam rock, pop e MPB. As dez faixas, em 36 minutos, deixam o conjunto enxuto e variado, e isso pode pesar a favor ou contra na votação. Em compensação, tem uma voz que o público reconhece em segundos.

Quem quiser ouvir o disco com atenção pode começar pelas faixas citadas acima e depois seguir para o resto do repertório, observando como Cazuza alterna ironia e vulnerabilidade. É essa oscilação que dá ao álbum o caráter de estreia pessoal, e não de simples continuação do Barão Vermelho.