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Rock Brasil e estúdio

Anos 1980

Cinco candidatos a melhor álbum brasileiro da década. Leia, ouça e vote.

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Os anos 1980 foram a década em que o rock virou assunto de gravadora grande no Brasil. Segundo a Wikipédia em inglês, a explosão começou em 1981, com a chamada “nova onda brasileira”, que a imprensa passou a chamar de “nova Jovem Guarda”. A mistura incluía punk, ska, pós-punk e elementos brasileiros. Dessa leva saíram Blitz, Barão Vermelho, Kid Abelha, Os Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Titãs, Ira!, Capital Inicial, RPM, Ultraje a Rigor e muitos outros.

Palco, rádio e festival

A cena tinha endereços. A mesma fonte descreve a Fluminense FM, de Niterói, como a porta de entrada do rock brasileiro, e aponta o papel das gravadoras independentes, como a Punk Rock Discos, que lançou a coletânea Grito Suburbano, em 1982. Em São Paulo, a Vanguarda Paulistana seguia por outro caminho, e o metal ganhava forma com bandas como o Sepultura, formado em 1984, em Minas Gerais.

O ponto de virada foi o Rock in Rio, realizado de 11 a 20 de janeiro de 1985, na Cidade do Rock, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Segundo a Wikipédia, o festival reuniu cerca de 1,38 milhão de pessoas e convenceu gravadoras, produtores e imprensa de que o rock era um mercado a ser explorado. Entre os brasileiros, subiram ao palco Barão Vermelho, Os Paralamas do Sucesso, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Ivan Lins, Blitz, Kid Abelha, Lulu Santos e Moraes Moreira.

Política e mercado

O pano de fundo foi a redemocratização. A Wikipédia lembra que o país viveu sob ditadura até 1985 e que a abertura moldou a visão de mundo dessa geração. A Billboard Brasil descreve 1986 como um ano de otimismo, com o Plano Cruzado, lançado em fevereiro, e José Sarney como primeiro presidente civil em 21 anos. Alguns discos da década nasceram como contraponto a esse clima.

A MPB não saiu de cena

Seria um erro contar a década só pelo rock. Compositores formados nos anos 1970 seguiram lançando discos e buscando público maior. É o caso de Djavan, que em 1982 foi gravar nos Estados Unidos, com produção americana, e voltou com um álbum de pop sofisticado. Cazuza fez o caminho inverso: saiu de uma banda de rock e foi testar o pop e a MPB em carreira solo. A fronteira entre os gêneros, nessa década, era mais porosa do que a memória costuma pintar.

O ano de 1986

Três dos cinco candidatos desta lista saíram em 1986, com poucos meses de diferença entre eles. A Wikipédia nota que Cabeça Dinossauro, dos Titãs, Dois, da Legião Urbana, Vivendo e Não Aprendendo, do Ira!, Rádio Pirata ao Vivo, do RPM, e Selvagem?, dos Paralamas, saíram no mesmo ano. É difícil achar outro momento da música brasileira em que tantos discos duradouros chegaram juntos.

Por que estes cinco

Luz (Djavan, 1982). Disputa pelo argumento do pop de alto nível: produzido em Los Angeles por Ronnie Foster, com Stevie Wonder na gaita em “Samurai”, mantém o canto de Djavan à frente.

Exagerado (Cazuza, 1985). Disputa por ser o retrato mais direto de um cantor no auge da fama e por uma faixa-título que atravessou gerações.

Cabeça Dinossauro (Titãs, 1986). Disputa pelo som cru e pela força das letras, num disco que fez da raiva um projeto de banda e aparece em listas de melhores de todos os tempos.

Dois (Legião Urbana, 1986). Disputa pela popularidade: é o álbum mais vendido da banda, com canções que viraram parte da memória afetiva de uma geração.

Selvagem? (Paralamas do Sucesso, 1986). Disputa pela mistura de rock, reggae e dub e por mostrar uma banda que preferiu mudar a repetir a fórmula que a levou ao Rock in Rio.