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Bossa, festival e tropicália

Anos 1960

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A década começou com a bossa nova no mundo inteiro e terminou com a Tropicália calada pela ditadura. Em dez anos, a música brasileira trocou de cara mais de uma vez.

A bossa nova sai do Brasil e perde o monopólio

Em 1962, um concerto no Carnegie Hall, em Nova York, reuniu Tom Jobim e João Gilberto, entre outros, e abriu o mundo para o estilo. No mesmo ano, o LP Jazz Samba, de Stan Getz e Charlie Byrd, chamou a atenção do público americano, segundo a Wikipédia. Em 1964, Getz/Gilberto levou o Grammy de álbum do ano, entregue em 1965.

Dentro do Brasil, a história era outra. A Wikipédia lembra que a bossa começou a perder seu lugar único em meados da década, principalmente depois do golpe militar de 1964, que estimulou a canção de protesto. Jobim e João Gilberto passaram muitos anos gravando fora do país.

Beco das Garrafas e samba-jazz

No Rio, uma travessa sem saída da Rua Duvivier, em Copacabana, apelidada de Beco das Garrafas pelo jornalista Sérgio Porto, abrigava uma bossa mais dura, o samba-jazz. Tocaram ali o Tamba Trio, o Bossa Três e o sexteto de Sérgio Mendes. É nesse ambiente que Jorge Ben encontra o saxofonista J.T. Meirelles e grava, em 1963, seu primeiro LP.

Os festivais e a TV

Em 1965, o festival da TV Excelsior foi vencido por “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, na voz de Elis Regina. A Wikipédia sobre a bossa nova vê nesse momento o início do que viria a ser chamado de MPB. Os festivais passaram a ditar o ritmo da canção, com plateias barulhentas e prêmios em dinheiro, que não combinavam com o canto contido da bossa.

A televisão também fez estrelas. Elis Regina e Jair Rodrigues comandaram O Fino da Bossa, na TV Record, até 1967.

A Tropicália

Em 1967, no festival da TV Record, Gilberto Gil e Caetano Veloso foram vaiados por usar guitarra elétrica. No mesmo ano, Hélio Oiticica criou a obra Tropicália, de onde vem o nome do movimento. Em 1968, a Philips lançou o disco coletivo que virou o manifesto do grupo. Caetano, Gil, Gal Costa, Tom Zé, Nara Leão e Os Mutantes dividiam o espaço com os arranjos do maestro Rogério Duprat.

O fim foi brusco. O programa Divino Maravilhoso, da TV Tupi, foi cancelado sob pressão dos militares. Depois do AI-5, em dezembro de 1968, o movimento acabou. Em 1969, Caetano e Gil foram presos e mandados para Londres, onde ficaram até 1971.

Por que estes cinco

Samba Esquema Novo (Jorge Ben, 1963). É a estreia que condensa o samba-jazz e o violão de Ben em menos de meia hora. Aparece na 15ª posição na lista dos 100 maiores discos da Rolling Stone Brasil, de 2007.

Dois na Bossa (Elis Regina e Jair Rodrigues, 1965). Disco ao vivo de uma dupla que dominava a TV paulista, com vendas que a Wikipédia coloca acima de 500 mil cópias. Disputa pelo alcance popular.

Caetano Veloso (1968). O primeiro LP solo de Caetano trouxe “Alegria, Alegria” e “Tropicália”, e é o ponto de partida da estética tropicalista. Está em 37º na lista da Rolling Stone Brasil.

Tropicália ou Panis et Circencis (Vários artistas, 1968). O manifesto coletivo do movimento. Ficou em segundo lugar na mesma lista da Rolling Stone Brasil, o melhor posicionado entre os cinco.

Os Mutantes (1968). A estreia da banda que levou o rock psicodélico à tropicália, em nono lugar na lista da Rolling Stone Brasil. Defende a ousadia de som como critério.