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DécadaVote por década
Disco da Década: página inicial

Como escolhemos os 30 candidatos do Disco da Década

Todo mundo que gosta de música brasileira tem um álbum que ficou de fora de alguma lista. O nosso caso não é diferente. Este guia explica, sem rodeio, como chegamos aos 30 candidatos do Disco da Década e onde essa escolha pode ser questionada.

O que o site faz e o que ele deixa para você

O Disco da Década escolhe o melhor álbum brasileiro de cada década, dos anos 1960 aos anos 2010. São seis décadas e cinco candidatos em cada uma. A divisão de trabalho é simples: a equipe escolhe os candidatos, o público vota. Nós não decidimos o vencedor. Só montamos a mesa.

Por que não deixar o público indicar também? Porque uma votação aberta demais vira disputa de torcida. Com cinco nomes por década, quem visita o site compara discos que realmente podem ser comparados, e o resultado fica legível.

Os critérios

Cada candidato precisou passar por quatro filtros.

1. Ter sido lançado na década

O ano de lançamento do álbum define a década em que ele disputa. Um disco de 1968 entra nos anos 1960, mesmo que sua influência tenha explodido depois. Isso evita discussão de fim de década e deixa a regra fácil de conferir.

2. Aparecer em lista de crítica citável ou ter impacto documentado

Aqui a regra tem duas portas. A primeira é a presença em uma lista de crítica que qualquer pessoa possa consultar. A segunda é um impacto que esteja registrado em fontes públicas, como prêmios, influência declarada por outros artistas ou a posição do disco na história de um movimento.

Usamos como referência principal a lista dos 100 maiores discos da música brasileira da Rolling Stone Brasil, de 2007. Ela foi feita com os votos de 60 estudiosos, produtores e jornalistas, e cada eleitor escolheu 20 álbuns sem ordená-los, segundo a descrição da edição reproduzida na Wikipédia. O primeiro lugar ficou com Acabou Chorare, dos Novos Baianos. A página da própria revista mostra os dez primeiros.

Conferimos o cruzamento entre a nossa lista e a dela. Dos 30 candidatos, 16 aparecem nos 100 da Rolling Stone Brasil de 2007. São eles, com a posição entre parênteses:

  • Anos 1960: Tropicália ou Panis et Circencis (2), Os Mutantes (9), Samba Esquema Novo (15) e Caetano Veloso (37).
  • Anos 1970: Acabou Chorare (1), Construção (3), Secos & Molhados (5), Clube da Esquina (7) e Elis & Tom (11).
  • Anos 1980: Cabeça Dinossauro (19), Dois, da Legião Urbana (21) e Selvagem? (39).
  • Anos 1990: Da Lama ao Caos (13), Sobrevivendo no Inferno (14) e Raimundos (45).
  • Anos 2000: Bloco do Eu Sozinho (42).

As posições acima vêm da transcrição da lista na Wikipédia. A página da revista só exibe as dez primeiras, então as demais posições dependem dessa transcrição.

Os outros 14 não aparecem nela. Nove deles são de antes de 2007: Dois na Bossa, Luz, Exagerado, Mais, Calango, Tribalistas, À Procura da Batida Perfeita, Cru e Cê. Os cinco dos anos 2010 foram lançados depois da lista, então ela nunca poderia incluí-los. Para esses 14, a porta é a segunda: o impacto documentado. Cada página de álbum lista as fontes que usamos, e é lá que você confere o argumento.

3. Mistura de estilos

Queríamos que cada década mostrasse mais de um caminho. Nos anos 1970, por exemplo, o grupo reúne Chico Buarque, Novos Baianos, Milton Nascimento com Lô Borges, Secos & Molhados e Elis Regina com Tom Jobim. São cinco sonoridades bem diferentes entre si. Não é um sorteio de gêneros. É uma tentativa de não transformar a votação em um duelo de quem tem mais fãs no mesmo estilo.

4. Nenhum artista repetido na mesma década

Cada artista tem uma vaga por década, no máximo. Sem essa regra, um nome muito querido poderia ocupar dois lugares e tirar espaço de outro. Há uma ressalva que preferimos assumir: Tropicália ou Panis et Circencis é um disco coletivo, com vários artistas, entre eles Caetano Veloso e Os Mutantes, que também têm discos próprios nos anos 1960. Aplicamos a regra ao artista creditado no título do candidato, e não aos participantes de um álbum coletivo. Quem achar a solução estranha pode nos dizer pelo contato.

Os limites desta escolha

Seria desonesto vender a lista como neutra. Estes são os pontos fracos que conhecemos.

Listas de crítica têm viés de época

Uma lista de 2007 reflete o que críticos, produtores e jornalistas valorizavam em 2007. Discos recentes ainda não tiveram tempo de ser revisitados, e alguns gêneros entraram tarde no cânone. Por isso as listas tendem a favorecer o que já está consolidado.

Listas têm viés de região e de gênero

Um texto da Gazeta do Povo, de 2008, criticou outra lista da mesma revista, a de 100 artistas da música brasileira, por ter poucas intérpretes mulheres e deixar de fora nomes ligados às raízes afro-brasileiras. É uma lista diferente da de discos, mas o aviso vale para qualquer ranking feito por um grupo pequeno: quem vota deixa suas marcas no resultado. Nossa lista também carrega marcas, e a equipe sabe disso.

Muita coisa boa ficou de fora

Cinco vagas por década são poucas. Houve disco querido que não coube, e a ausência dele não é um veredito. Se você sente falta de um álbum, o contato do site está aberto a sugestões, e elas podem orientar edições futuras.

O voto é de quem visita o site

O resultado mostra a preferência de quem chegou aqui e quis votar. Não é pesquisa científica, não tem amostra controlada e pode ser influenciado. A página de metodologia explica como limitamos abusos, mas nenhum limite é perfeito.

Como usar essa informação

Leia a lista como um convite à conversa, não como um julgamento. Se um álbum que você ama não está lá, use o contato para sugerir. Se há um que você não conhece, ouça antes de votar. Os detalhes técnicos do voto estão na página de metodologia.