Rótulo de gênero ajuda a achar o que ouvir, mas os melhores discos costumam estragar a gaveta. Este mapa liga cada estilo dos candidatos a um álbum da lista, com datas e origens conferidas nas fontes.
Bossa nova
Surgiu no fim dos anos 1950, na Zona Sul do Rio de Janeiro, como uma transformação do samba com influência do jazz americano. A Wikipédia registra “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, lançada por Elizeth Cardoso em abril de 1958. A versão de João Gilberto, de agosto de 1958, consolidou o jeito de cantar e tocar violão que marcou o estilo. O LP Chega de Saudade, de João Gilberto, saiu em abril de 1959.
Para ouvir na lista: Elis & Tom (1974), de Elis Regina e Tom Jobim, um dos nomes centrais da bossa nova. E Dois na Bossa (1965), de Elis Regina e Jair Rodrigues, cujo título cita o estilo.
Samba-rock e samba-soul
É a mistura de samba com rock, soul e funk que tomou os bailes brasileiros. Segundo a Wikipédia, Jorge Ben estreou em 1963 com uma batida própria, que depois ganhou o apelido de “jovem samba”. Tim Maia voltou dos Estados Unidos trazendo soul e funk, e seu primeiro álbum, de 1970, misturava esses ritmos com samba e baião. Os Novos Baianos lançaram Acabou Chorare em 1972, juntando samba, baião e rock psicodélico.
Para ouvir na lista: Samba Esquema Novo (1963), de Jorge Ben, e Acabou Chorare (1972), dos Novos Baianos. Este último ficou em primeiro lugar na lista dos 100 maiores discos da Rolling Stone Brasil, de 2007.
Tropicália
O tropicalismo ganhou visibilidade no III Festival de Música Popular Brasileira, em 1967, com Gilberto Gil e Caetano Veloso. A Wikipédia conta que o termo veio de uma obra de Hélio Oiticica. O álbum coletivo Tropicália ou Panis et Circencis, de 1968, é tido como o manifesto do movimento. As influências incluem a antropofagia de Oswald de Andrade, a pop art e o rock internacional. Depois do AI-5, no fim de 1968, Caetano e Gil foram presos e exilados em Londres, onde ficaram até 1971.
Para ouvir na lista: Tropicália ou Panis et Circencis (1968), Caetano Veloso (1968) e Os Mutantes (1968). Os três saíram no mesmo ano.
MPB
A sigla vem de música popular brasileira, mas como gênero tem uma história específica. A Wikipédia situa a segunda geração da bossa nova como origem da MPB a partir de 1966, e conta que os festivais de TV do fim dos anos 1960 popularizaram repertórios autorais. O termo reúne práticas híbridas com raízes no samba, na bossa nova e no baião, com influência do jazz e do rock. Por isso é um dos rótulos mais largos que existem.
Para ouvir na lista: Construção (1971), de Chico Buarque, nome que a Wikipédia cita já no Festival Internacional da Canção de 1968, e Clube da Esquina (1972), de Milton Nascimento e Lô Borges. Ambos aparecem entre os dez primeiros da lista da Rolling Stone Brasil (3º e 7º).
Rock brasileiro dos anos 1980
A década de 1980 foi a do grande boom do rock nacional. Segundo a Wikipédia, tudo começou com bandas independentes divulgadas por fanzines. Em 1982, o festival O Começo do Fim do Mundo, no SESC Pompeia, em São Paulo, terminou em confronto com a polícia. Brasília gerou Aborto Elétrico, de onde saíram Legião Urbana e Capital Inicial. O Rock in Rio, em 1985, foi um marco para o rock nacional. O “quarteto sagrado” da página reúne Barão Vermelho, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs.
Para ouvir na lista: Dois (1986), da Legião Urbana, Cabeça Dinossauro (1986), dos Titãs, e Selvagem? (1986), dos Paralamas do Sucesso. Os três saíram no mesmo ano.
Rap e hip hop
O hip hop chegou ao Brasil nos anos 1980. A Wikipédia descreve jovens da periferia de São Paulo que recebiam informação por cartas e fanzines e se reuniam na Galeria 24 de Maio e na estação São Bento. A coletânea Hip-Hop Cultura de Rua, de 1988, é apontada como o primeiro álbum brasileiro só de rap. Em 1989, a coletânea Consciência Black, Vol. 1 apresentou os Racionais MC’s. Sobrevivendo no Inferno (1997) é descrito como um dos marcos do gênero.
Para ouvir na lista: Sobrevivendo no Inferno (1997), dos Racionais MC’s, que fica em 14º na lista da Rolling Stone Brasil. O rap segue presente em candidatos de décadas seguintes. As páginas de cada álbum contam de onde veio o som de cada artista.
Manguebeat
Nasceu em Recife, em 1991, com o manifesto Caranguejos com Cérebro, assinado por Fred 04 e DJ Renato L. (a própria Wikipédia observa que também cita 1992 como ano do primeiro manifesto). O som mistura ritmos pernambucanos, como maracatu, coco, ciranda e embolada, com rock, hip hop, funk, soul e música eletrônica. O manifesto foi incluído no encarte de Da Lama ao Caos, a estreia de Chico Science & Nação Zumbi, em 1994.
Para ouvir na lista: Da Lama ao Caos (1994), de Chico Science & Nação Zumbi, 13º na lista da Rolling Stone Brasil.
Jazz-rock afro
MetaL MetaL (2012), do Metá Metá, trio paulistano formado em 2008 por Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França. A Wikipédia lista entre seus estilos jazz-rock, rock experimental, afro rock, MPB, samba e cantos de candomblé.
Discos que fogem do rótulo
Alguns candidatos não cabem bem em nenhuma gaveta única, e este guia prefere não forçar:
- Secos & Molhados (1973)
- Luz (1982), de Djavan
- Mais (1991), de Marisa Monte
- Calango (1994), do Skank
- Tribalistas (2002)
Os textos de cada álbum explicam o que cada um fez.
Como usar este mapa
Ouça dois candidatos da mesma década de estilos diferentes e veja o que funciona em cada um. A votação não pede conhecimento técnico. Pede ouvido aberto.